Guerra comercial ou não, China diminui distância dos EUA na corrida tecnológica
15/04/2018 - 17h07 em Tecnologia

Com crescente investimento em pesquisa e a expansão no ensino superior, a China está reduzindo rapidamente a distância em relação aos Estados Unidos em propriedade intelectual, na luta para ser a maior potência tecnológica do mundo, disseram especialistas em patentes. 

Embora a ameaça de tarifas punitivas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre às importações de alta tecnologia da China possa desacelerar o ímpeto de Pequim, isso não vai reverter a maré, dizem eles. A alegação de Washington de que a China se envolveu com roubo de propriedade intelectual durante muitos anos - o que é negado por Pequim - é uma razão central para o agravamento do conflito comercial entre os EUA e a China. 

As previsões de quanto tempo levará para que Pequim fechar o hiato tecnológico variam, embora vários especialistas em patentes afirmem que isso pode acontecer na próxima década. E a China já está avançando em algumas áreas. 

“Com o número de cientistas que a China está treinando a cada ano, eventualmente, alcançará, independentemente do que os EUA fizerem”, disse David Shen, diretor de propriedade intelectual na China da firma de advocacia Allen & Overy. 

De fato, os advogados de patentes veem a promessa do presidente Xi Jinping no início desta semana de proteger os direitos de propriedade intelectual de estrangeiros como uma projeção da confiança na posição chinesa como líder inovadora em setores como telecomunicações e pagamentos online, bem como sua capacidade de recuperar terreno em outras áreas. 

No ano passado, a China superou o Japão como segundo colocado no mundo em patentes, com crescimento anual de 13,4 por cento, de acordo com a World Intellectual Property Organization. Se mantido, o ritmo levará a China a superar os EUA em pouco mais de um ano, um forte indício de suas ambições. 

Esse progresso foi construído em fundações que provavelmente se fortalecerão ainda mais. 

A China gasta hoje 2,1 por cento de seu Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento, ainda atrás dos 2,75 por cento dos EUA, mas um aumento notável ante apenas 0,7 por cento nos anos 1990 e se aproximando da média de 2,35 por cento entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

Dados do Banco Mundial mostram que a China agora produz 1.177 pesquisadores por cada milhão de habitantes, três vezes o nível dos anos 1990 e em linha com a média mundial. Os EUA produzem muito mais pesquisadores por milhão - 4.321 -, mas isso é mais do que compensado pela população da China, cerca de quatro vezes maior. 

E o número de pesquisadores chineses só vai aumentar. 

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a China agora tem mais de 40 por cento de seus alunos matriculados em cursos técnicos e superiores, metade da percentagem dos EUA, mas um aumento impressionante de 0,1 por cento na década de 1970. 

“Se você olhar para 5-10 anos, verá um campo de atuação muito mais nivelado em termos de inovação, especialmente em plataformas online, inovação digital, aprendizado de máquina e inteligência artificial”, disse Richard Titherington, diretor de investimentos para mercados emergentes asiáticos do JP Morgan Asset Management, que administra 80 bilhões de dólares

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